quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Quando a vida é só para amanhã



Encontro frequentemente na minha vida, grandes donos de fábricas de bolos multimilionárias. Que guardam tudo o que podem, que gerem rotinas perfeitas, que constroem um futuro provido de todo o material que precisam para um conforto da velhice, que pavoneiam o exemplo e se afirmam com a descontração imperiosa do seu lugar, mas que na verdade nem sabem a que sabe os seus bolos, guardados para um amanhã, ou partilhado em montra bem estudada, mas que não poderá ser mexida até ao fim da época e o fecho da cortina.

E depois aparecem os que trazem timidamente os biscoitos no bolso, embrulhados no papel de guardanapo de uma folha, amarrotado qual tímido invólucro caseiro. Biscoitos de marca branca, ou feitos em casa no forno a precisar de reforma. Mas que ao melhor dos impulsos, sem um único piscar de olhos, tiram o biscoito do bolso e partilham tudo o que tem, para tornar aquele momento melhor. Sem pensar que aquele meio biscoito pode faltar nos tijolos do abrigo do amanhã. Mas confiam que vai ser maravilhoso, sem grande alarido sobre o depois, tudo o que importa é o que enche o peito de amor.

Não é de todo a minha intenção falar de biscoitos e bolos. Quando encontrei estas 6 quadriculas semanas atrás, na timeline de alguém que o fez chegar numa rede social, identifiquei de imediato com o que me faz partir o coração, ou recompô-lo em alegria.

Há dias, uma pessoa amiga contava-me orgulhosamente todos os cuidados que tem para uma velhice melhor e eu temi que os seus próximos 40 anos sejam de uma profunda tristeza. Com os detalhes, fiquei com a certeza que vai construir uma fábrica de bolos de boa qualidade, sem que vá provar nenhum, até que um deles seja premiado. E que só aí é permitido uma fatia desse bolo.

Evito verbalizar julgamentos, então não manifestei a inquietação com que fiquei, deixando a minha mente em agitação e triste porque este quadro não encaixa na minha moldura.
Quando me deparo com uma situação destas, lembro-me da fábula que nos fizeram acreditar na infância, que nunca deveríamos ser cigarras e ser sempre formigas à espera do inverno. E assim vamos sendo no nosso contexto social. Amealhando para um amanhã sem fim, não tocando uma única vez a nossa guitarra.

Ora se devemos focar o futuro para nos construirmos enquanto pessoas melhores no presente, seja em que campos da nossa vida, não devemos de colocar a nossa felicidade em stand by até esse momento. E se a fábrica for apanhada por um furacão um tsunami ou outra catástrofe? Ficamos sem saber a que sabem aqueles bolos?

Para mim todos os dias merecem a nossa atenção, os nossos momentos de felicidade, e às vezes temos de cometer loucuras, viver em paixão pelos sonhos, mudar de vida sem receio da montra deixar de ser admirada pelos habituais clientes e que não venham outros, que nos tragam melhores momentos.

Porque podemos transformar os nossos tímidos biscoitos caseiros em saborosos biscoitos de uma pastelaria acolhedora, onde o som das conversas dança com o fumegar do chá, onde nos sentamos à mesa com o cliente deliciado e partilhamos alegrias, elogios e reunimos força para outras receitas de biscoitos.
Porque podemos transformar a fábrica de bolos fria e cinzenta, num lugar atrativo onde experimentamos o que dela é fabricado, e mudamos de vez enquanto a receita, depois de a provar e até lambuzar um pouco na taça da prova.

Podemos viver com a certeza de um dia poder contar aos nossos netos aquela vez em que pusemos pimenta no chocolate, ou coentros nos morangos.
Podemos viver com a certeza que valeu a pena ter deixado as sementes do coração de leão viajarem com a brisa e reencontrar um lugar.
Podemos viver com a certeza de ter ocupado o lugar que era nosso, e não o que nos foi sendo oferecido.
Podemos viver com a certeza de que a nossa felicidade foi mesmo nossa!

Estamos cá hoje. Podemos viver com um pouco de paixão. E não faz mal!
A vida é agora!

Com amor,
Judite <3








segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Em seda ou em linho... que haja amor!

Ouço frequentemente alguns comentários sobre a minha participação e as muitas partilhas que faço nas redes sociais.
Se muitas vezes se focam em alguns agradecimentos por algo que a minha partilha possa contribuir, também existem as intervenções que realçam um certo desagrado ou incómodo porque em algum julgamento, se considera que não o deveria fazer.
É a partir deste "partilhas muito da tua vida" que venho escrever-vos hoje. Com algum sarcasmo, admito, mas com uma inteira mensagem de tolerância. Um pedido para este 2017 que ainda agora começa e que nos traz um novo ciclo.

A verdade é que sim: uso e abuso das redes sociais!
São a minha montra... ora então tenho que expor aquilo que em trabalho ou com a pretensão de ter trabalho, posso precisar de mostrar. E quando digo precisar, não o digo em criação ou falsidade, mas apenas a parte de mim que é importante sobre o meu percurso, sobre a essência de mim e das minhas actividades profissionais que me levam até ao meu público. O resto, embora eventualmente possa partilhar, é meu e só meu.

Posso, na minha fraca capacidade de ironia, deixar aqui uma perguntinha: "Senhores críticos, acham mesmo que a minha vida é só aquilo que partilho? Não acham que sou mais feliz do que isso?".
Se existem invejas, que sejam pelo trabalho duro, pelo empenho, e não pelos posts floreados que possam ver aqui e ali!

Sarcasmos e ironias à parte, vamos agora falar de coisas sérias! A tolerância e a aceitação de um mundo heterogéneo.

Encontro frequentemente na minha vida, nos vários contextos, as pessoas mais intolerantes do mundo (julgamento meu, claro!), que me põe a pele em tremenda irritação, e uma vontade de abanar o ser vivo que se apresenta à minha frente.
Qual intolerância que tenho direito, não fosse eu humana.
Respiro fundo e mais fundo, e limpo a minha mente deste pecaminosos pensamentos e sorrio. Aprendi a sorrir para mim quando me defronto com incompatibilidades relacionais, transportando-me para outros lugares e situações muito mais agradáveis. Não fosse eu uma grande adepta do riso, área onde até percebo de alguma coisa sobre o tema!

Mas apesar disso fico triste.
Triste com a desumanidade com que nos julgamos uns aos outros.
Tal como referi, não sou perfeita e tenho os meus momentos de fraqueza, mas a humanidade vive em constante fraqueza.

E a intolerância vem de toda a parte. E ninguém se admite nela.
(E eu? Quantas vezes entro em negação!)

Vivemos num convívio social em que os engravatados criticam os fatos de linho, e alguém de chinelos e calções só encontra defeitos nas camisas brancas e sapatos engraxados.
E nas respectivas tribos não há espaço para nada mais que não seja o igual! E que sejamos todos cópias e reflexo do ideal de vida... o nosso claro!
E quem não nos repete em imagem e semelhança, não serve, está errado e não encontrou a verdadeira razão da vida!

Acontece que ninguém está errado, tanto quanto não está certo!

Desde muito nova, tanto quanto me consigo lembrar, quis viver a minha vida em liberdade.
E o que significa isso para mim? Fazer o que me faz feliz e completa. Qual gravata ou chinelo, que venham os dois ou até nenhum!

Se me sentisse assim de camisa branca a dirigir o não sei o quê de uma multinacional, porque haveria de negar o meu desejo?
Porque seria menos lúcida em busca da minha felicidade?

A verdade é que o meu conceito de felicidade e plenitude passa por outras coisas. Não quero a tal cadeira e ambiciono pelo mundo de outra forma.
Trabalhar com Desenvolvimento Pessoal é para mim. É realmente o meu caminho, hoje! E faço-o porque acredito no amor pela vida e na felicidade das pequenas coisas.
E que cada dia eu esteja um passo mais perto do meu sonho de vida! (Aquele que de foro pessoal, não vou partilhar, claro!)

Mas se concordo que o Desenvolvimento Pessoal é para todos, para melhor entendimento de nós próprios, do conhecimento do nosso caminho, que até pode ser para melhorar a capacidade de sentar na cadeira!
Fico igualmente aborrecida das campanhas constantes das facções desta luta, dos que o rejeitam ou não vivem em seu nome, e dos que nele trabalham e o vendem.
De que ou estás de um lado ou de outro. E que se não és um nome importante com uma cadeira grande não mereces o teu espaço, nem devias viver. E que se não és facilitador de essência não vez a luz, e não mereces pedir para ser feliz!

Quero começar o ano com esta limpeza feita, um desabafo que há muito queria fazer e que o tenho evitado, porque tem muito de pessoal.
Mas porque também me abraça na minha missão profissional, fica aqui o pedido: Há espaço para todos, para tecidos de todas as cores e texturas, foquem-se em que haja amor!

Que cada dia, eu sinta como me sinto hoje, uma passo mais perto de mim!
E que cada um de vós, seja qual o vosso sonho, se sintam capazes de se aproximar de quem são, dando cada passo a cada dia, com a melhor certeza de que é esse o caminho e que o vivam com no coração!

Um ano de concretizações em amor para todos!

Judite <3