segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Um caso de amor verdadeiro

Lembro-me quando era criança que todas as histórias começavam por “Era uma vez…” e o beijo que salvava a princesa quando estava em perigo de morte, era sempre do príncipe encantado.

Ora… se por um lado a história remontava a tempos distantes… da era que já não é… e que assim o viveram felizes para sempre era mesmo verdade, pois o tempo assim deveria ter provado. Por outro, havia sempre a certeza de um príncipe destinado a salvar a princesa de todos os males, quer dos terrenos quer dos fantásticos. Mas que primeiro era preciso passar por uma grande provação de vida, com morte dos entes mais queridos, dor e muitas ameaças.

E com todas as histórias dramáticas e cheias de vilões mesmo muito maus, questiono: O que fez isto nas nossas mentes?

Acho que a certa altura, todas as jovens meninas viveram condicionadas por esta sina… do sacrifício e da espera. E tal chegado o príncipe o objetivo seria exato: não largar mais! Porque só existe um e só aparece uma vez.

Nenhuma destas histórias que ouvi quando criança falou de um amor que nasce sem intenção, que cresce com a vida e que não precisa de expectativas de um final feliz… que não espera sequer nada… apenas acontece.

Acho que estes contos de fadas, (mesmo quando não as tinham) tiveram um impacto grandioso nas crianças que as interiorizaram: a condição da palavra AMOR a um único significado – a relação matrimonial e filial.

Com o tempo deixamos de falar de amor de forma descomprometida. Não dizemos que amamos os nossos amigos, nem que amamos flores… porque amor é só o do seio familiar.

Com o tempo deixamos de dizer que amamos fazer isto ou aquilo. Não dizemos que amamos o mundo, nem a nós próprios… porque amor é o do marido e mulher e transportado para os filhos.

Com o tempo deixamos de dizer que amamos a liberdade. Não dizemos que amamos correr descalços no jardim… porque amor é coisa séria e não se diz à toa por aí!

Mas com o tempo também, no tempo do hoje, aconteceu algo maravilhoso: as redes sociais!

Se antes fechávamos as portas das nossas casas e vivíamos em segredo do mundo, hoje partilhamos tudo. E o mais incrível é que com isso também partilhamos amor!

Não tenho intenção de falar da também verdade que este meio criou de assíncronia nas relações, porque isso é tema para outra conversa. Falo da abertura com que agora nos deixamos viver a falar abertamente de amor!

Este é um momento de mudança nas relações entre as pessoas. E este momento está visível.

Quem tem visto as novas histórias de princesas no cinema, pode deparar-se com uma nova salvação para a tal menina, que posta em perigo deixou de ser salva pelo príncipe e passou a ser salva por um ato de amor verdadeiro!

E é tão comovente olhar e acreditar que apesar de tudo o que é demonstrado com menos amor ao nosso redor, existe um outro lado. Uma mudança que parte na busca e da partilha e de mais amor.

Para mim isto é uma prova de que tudo o que nos rodeia restaura-se na procura do equilíbrio. Lá diz o ditado popular, que entre portas e janelas, há umas que fecham e outras que abrem!

No Natal vi o Frozen com a minha irmã, e o filme foi tema de conversa. É tão bom ver como, estando separadas por vivências naturais de nascidas em décadas diferentes, em sincronia comentámos e debatemos esta evolução. Por isso a história de hoje é dedicada a ela, porque foi inspirada na nossa conversa, e porque ela é a minha pessoa de amor verdadeiro.

Com amor,
Judite <3




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