quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Tão simples e tão complicado!

Viver pode ficar muito complicado. Não digo complicado de difícil. Penso em complicado como um novelo emaranhado.

Por vezes parece que pegamos numa meada*, de uma cor linda, textura macia, com grande potencial. E tentamos fazer um novelo. Mas esse novelo fica com fios entrelaçados e cheios de nós. E no final o novelo que imaginámos não é igual ao que temos.

Se formos tricotadeiros treinados, a probabilidade disso acontecer é muito reduzida. Dominamos os fios e como os devemos manobrar.

Mas antes disso, sabemos exatamente que fios comprar. É o primeiro passo para a peça fabulosa que queremos tricotar.

Acontece que antes da mestria há o treino. E é aqui que tudo se pode complica.

Tudo vai depender de nós. De conhecer o método, a forma de melhorarmos as nossas capacidades de tricotar e de escolher a peça que queremos produzir.

Mas quanto pacientes somos nós para tricotar? Quanto somos persistentes em dominar a técnica e conseguir terminar a peça? Quanto somos humildes para reconhecer qual a melhor peça para cada momento?

Quando não dominamos a arte, podemos usá-la incorretamente. A incorreção leva-nos a produzir peças que não correspondem às nossas expectativas. Quanto maior for a peça maior a complicação.

Por vezes orgulhamo-nos de uma certa persistência. De sermos quem não desiste.
E como não somos fracos nem desistentes, está fora de opção desmanchar uma ou outra linha do nosso tricot que correu menos bem. Queremos é despachar a peça.

E com tanto empenho em terminar a arte, descuidamos da qualidade e do prazer da produção da peça.

A verdadeira arte é o que pomos de nós na peça. E não faz mal chegarmos ao fim e acharmos que não está bem ou que já não nos é útil!

Quando prezamos na nossa sinceridade, aquela que pode ser mais emaranhada: a para nós próprios, podemos desmanchar tudo de novo num novelo. Pronto para uma nova peça! 

E a próxima vai ser sempre melhor!



Com amor,
Judite <3



* Muitas lãs são vendidas em meada. A meada é construída como se fosse uma rosca, que depois se entrança em si mesma. A/o tricotadeira/o desmancha a meada e prepara os fios no novelo redondo, conforme as conjugações que pretende fazer. A partir deste novelo produz as peças de lã.

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